Procurei-te em cada canto da tua ausência
como se a minha
insistência
pudesse
devolver-te ao
vento
forte
que conheci no teu toque.
Procurei-te em cada momento de tempo
em que a eternidade
pesava
e demorava
longe de ti.
Procurei-te enquanto via passear a idade
e a cidade
passava por mim
nua
de sentidos e melodias.
Procurei-te nos dias
e nas noites
em que te tive por dentro
e dentro de mim
na intimidade sôfrega
de uma vida
inteira
a ver-te partir.
Procurei-te sozinha
perdida
debaixo da minha pele
e em cada veia
ao fundo da vida
e por dentro da morte
em cada esquina do destino
e da sorte que atei a mim.
Procurei-te
no meu desatino
de te querer Senhor
e Rei.
Procurei-te
tendo-te a meu lado,
eterno passageiro
que nunca encontrei.
Martha Mendes
(19 Abril de 2012)
quinta-feira, 19 de abril de 2012
segunda-feira, 2 de abril de 2012
A Janela do Leopoldino

A Janela do Leopoldino volta a abrir-se ao mundo, em Abril, nas seguintes cidades:
Viseu: 7 de Abril
Lisboa (Centro Comercial Colombo): 14 de Abril
Almada: 21 de Abril
Guimarães: 28 de Abril
Sempre na FNAC, sempre pelas 17 horas.
Venham conhecer o Leopoldino: Estão todos convidados!
Martha Mendes
(2 Abril de 2012)
terça-feira, 27 de março de 2012
Na memória de um livro
Viajo sem bilhete de retorno,
pelo corno do mundo,
nas páginas várias
dos livros e da leitura.
Encontro novas ruas,
a cada nova linha.
Abro um livro
e na abertura desse mundo novo,
desse ovo de começo,
caminho pelas palavras
como notas musicais.
As frases são árias,
guia de melodias várias,
onde encontro gente, animais,
paladares, lugares,
sons, tons,
de todas as cores,
de todos os sítios.
Abro um livro
e ausento-me de onde estou.
De mão dada com a história,
encontro um outro espaço.
Na palavra escrita,
na memória de um livro,
encontro um abraço.
Martha Mendes
(27 Março de 2012)
pelo corno do mundo,
nas páginas várias
dos livros e da leitura.
Encontro novas ruas,
a cada nova linha.
Abro um livro
e na abertura desse mundo novo,
desse ovo de começo,
caminho pelas palavras
como notas musicais.
As frases são árias,
guia de melodias várias,
onde encontro gente, animais,
paladares, lugares,
sons, tons,
de todas as cores,
de todos os sítios.
Abro um livro
e ausento-me de onde estou.
De mão dada com a história,
encontro um outro espaço.
Na palavra escrita,
na memória de um livro,
encontro um abraço.
Martha Mendes
(27 Março de 2012)
quarta-feira, 21 de março de 2012
Dia Mundial da Poesia
Para todos aqueles que não podem viver sem ela,
feliz Dia Mundial da Poesia.
21 de Março de 2012
feliz Dia Mundial da Poesia.
21 de Março de 2012
domingo, 18 de março de 2012
Primícias da manhã
Amanhece o dia
com a luz do recomeço.
Meço cada centímetro do teu cabelo,
belo, como a luz que inunda a manhã.
Outro dia virá amanhecer.
Vamos ser o que pudermos,
o que a vida nos deixou conhecer.
Amanhecerá o dia
para nova esperança.
Na ânsia renovada de ser outra vez,
lês as páginas em branco,
por escrever.
O que falta
atinge-te com um solavanco na alma.
E eu, com medo do medo,
Atrelo o meu coração ao teu,
meço cada centímetro do teu cabelo.
Conto cada poro da tua pele,
que pincelo de carícias com os meus dedos,
enquanto ela expele
primícias do resto da nossa vida.
Martha Mendes
(18 Março de 2012)
com a luz do recomeço.
Meço cada centímetro do teu cabelo,
belo, como a luz que inunda a manhã.
Outro dia virá amanhecer.
Vamos ser o que pudermos,
o que a vida nos deixou conhecer.
Amanhecerá o dia
para nova esperança.
Na ânsia renovada de ser outra vez,
lês as páginas em branco,
por escrever.
O que falta
atinge-te com um solavanco na alma.
E eu, com medo do medo,
Atrelo o meu coração ao teu,
meço cada centímetro do teu cabelo.
Conto cada poro da tua pele,
que pincelo de carícias com os meus dedos,
enquanto ela expele
primícias do resto da nossa vida.
Martha Mendes
(18 Março de 2012)
quarta-feira, 14 de março de 2012
Turbilhão
Tantas cores nos olhos
que choram por hábito.
Tantas dúvidas na cabeça que habito.
Tantos timbres na voz
de quem grita sem ser ouvido.
Tantos nós nos rolos de fio da vida,
tantos pós que a morte gerou.
Tamanhos calos nas mãos
dos que escavam em vão
e vão, assim, escavando o seu último abrigo,
à procura da alma que perderam no tempo.
Quanto escuro na luz de todos os dias.
Mãos frias no calor da noite.
Mói-te ter de fechar a caixa aos que amas.
Mói-te não ter escamas que protejam o coração,
nem camas onde deitar a alma,
quando ela adormece,
no meio do turbilhão.
Martha Mendes
(12 Março 2012)
que choram por hábito.
Tantas dúvidas na cabeça que habito.
Tantos timbres na voz
de quem grita sem ser ouvido.
Tantos nós nos rolos de fio da vida,
tantos pós que a morte gerou.
Tamanhos calos nas mãos
dos que escavam em vão
e vão, assim, escavando o seu último abrigo,
à procura da alma que perderam no tempo.
Quanto escuro na luz de todos os dias.
Mãos frias no calor da noite.
Mói-te ter de fechar a caixa aos que amas.
Mói-te não ter escamas que protejam o coração,
nem camas onde deitar a alma,
quando ela adormece,
no meio do turbilhão.
Martha Mendes
(12 Março 2012)
terça-feira, 6 de março de 2012
A Janela do Leopoldino

A Janela Do Leopoldino, livro da autoria de Martha Mendes e ilustrado por Inês Murta, vai ser apresentado na FNAC do Fórum Coimbra, este Sábado, 10 de Março, pelas 17 horas. No dia seguinte, 11 de Março, uma nova apresentação do livro terá lugar na FNAC do LeiriaShopping.
São todos muito bem-vindos :)
Martha Mendes
(6 Março de 2012)
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
Olhos
Não posso viver nos olhos de um homem
mas posso morrer neles.
A tentar calar o que os olhos dizem
já morri, eu, tantas vezes.
A tentar ver para lá dos olhos
encandiei-me na imensa luz da alma.
Não posso viver de forma calma:
não sei de quantos amanhãs se faz o tempo.
Não posso viver no vento
mas morro se,
como ele,
não toco todas as peles,
não beijo todas as árvores.
Por levantar mantos proibidos,
esconderijo de segredos abrasivos,
já tantas vezes queimei as pálpebras.
Morremos de olhos fechados.
Não podemos abri-los, enquanto vivos?
Martha Mendes
(14 Fevereiro de 2012)
mas posso morrer neles.
A tentar calar o que os olhos dizem
já morri, eu, tantas vezes.
A tentar ver para lá dos olhos
encandiei-me na imensa luz da alma.
Não posso viver de forma calma:
não sei de quantos amanhãs se faz o tempo.
Não posso viver no vento
mas morro se,
como ele,
não toco todas as peles,
não beijo todas as árvores.
Por levantar mantos proibidos,
esconderijo de segredos abrasivos,
já tantas vezes queimei as pálpebras.
Morremos de olhos fechados.
Não podemos abri-los, enquanto vivos?
Martha Mendes
(14 Fevereiro de 2012)
domingo, 5 de fevereiro de 2012
A Casa e a Velha
A casa daquela velha tem lá dentro a solidão
e muito tempo que passa devagar,
muitas horas vazias,
e, no sótão, muitas azias de estômago de velha.
Tem uma porta com postigo
a casa que não se abre a ninguém.
Só a morte vai lá dentro.
É um jazigo, mas a velha não sabe.
Ela nunca vai à rua:
é refém daquele espaço.
Cada parede tem um pedaço seu.
Lá dentro, a velha faz parte de tudo
e tudo naquela casa está dentro da velha.
A velha mesa de bilhar, sua vesícula biliar,
Cada taco do chão, um músculo do coração,
Cada corredor, um órgão do sistema reprodutor.
Com os anos, a velha fundiu-se com a casa
e agora, ambas são uma coisa só.
Mas a velha não se sente só:
Tem as janelas, as paredes, as portas,
suas artérias aortas,
e cada um dos grãos de pó
[que não limpa há muitos anos]
e cada uma das teias que enchem os canos
[por onde a água deixou de correr].
Tem plantas que deixaram de viver
mas ela mantém os vasos,
porque lhe trazem memórias
do tempo em que vivia fora da casa,
na asa dos sonhos e da vida.
Um dia a velha vai morrer e ninguém a vai encontrar:
Ficará incorporada nas paredes da casa,
Com o pó, as teias e as plantas mortas.
Nem um farrapo restará do seu corpo:
Será tudo fundido com as molduras tortas
suspensas nessas paredes que são a sua vida.
Ficará perdida,
ou,
então,
por fim,
encontrada,
alada para voar paredes afora.
Martha Mendes
(6 Fevereiro de 2012)
e muito tempo que passa devagar,
muitas horas vazias,
e, no sótão, muitas azias de estômago de velha.
Tem uma porta com postigo
a casa que não se abre a ninguém.
Só a morte vai lá dentro.
É um jazigo, mas a velha não sabe.
Ela nunca vai à rua:
é refém daquele espaço.
Cada parede tem um pedaço seu.
Lá dentro, a velha faz parte de tudo
e tudo naquela casa está dentro da velha.
A velha mesa de bilhar, sua vesícula biliar,
Cada taco do chão, um músculo do coração,
Cada corredor, um órgão do sistema reprodutor.
Com os anos, a velha fundiu-se com a casa
e agora, ambas são uma coisa só.
Mas a velha não se sente só:
Tem as janelas, as paredes, as portas,
suas artérias aortas,
e cada um dos grãos de pó
[que não limpa há muitos anos]
e cada uma das teias que enchem os canos
[por onde a água deixou de correr].
Tem plantas que deixaram de viver
mas ela mantém os vasos,
porque lhe trazem memórias
do tempo em que vivia fora da casa,
na asa dos sonhos e da vida.
Um dia a velha vai morrer e ninguém a vai encontrar:
Ficará incorporada nas paredes da casa,
Com o pó, as teias e as plantas mortas.
Nem um farrapo restará do seu corpo:
Será tudo fundido com as molduras tortas
suspensas nessas paredes que são a sua vida.
Ficará perdida,
ou,
então,
por fim,
encontrada,
alada para voar paredes afora.
Martha Mendes
(6 Fevereiro de 2012)
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
Vive, navega
Vi viver
tantas vezes
que não sei quantas vidas são possíveis.
Vi ver
em tantos níveis,
com tantos olhos,
que fiquei cega para tantas vidas.
Vi navegar
tantas vezes
entre escolhos
homens para vigar os mares,
prender as marés,
e as insensatezes.
Vi navegar para ugar as ondas,
e ugar às ondas que as vidas são adúlteras,
ossudas, cortantes,
agudas, inconstantes.
As terras, essas, são redondas.
São de rondas, são de mondas,
como as estações.
Não te escondas: navega.
Não saias nas estações de ligação
para outra vida, para outro chão.
Nas ondas entrançadas de um cabelo, navega.
Vive pelo belo,
pelo duelo
entre ser vida ou existência adormecida.
Navega na veiga dos campos pungentes de gentes e vidas.
Navega, nas idas e vindas da vida
Vive na seiva das ondas,
Navega no fundo, mais fundo, do mar.
Rompe com as redes, marinheiro,
não tenhas medo de afundar.
Vive, navega,
nesse lugar entre as ondas,
onde mesmo debaixo de água,
há espaço para respirar.
Martha Mendes
(25 Janeiro de 2012)
tantas vezes
que não sei quantas vidas são possíveis.
Vi ver
em tantos níveis,
com tantos olhos,
que fiquei cega para tantas vidas.
Vi navegar
tantas vezes
entre escolhos
homens para vigar os mares,
prender as marés,
e as insensatezes.
Vi navegar para ugar as ondas,
e ugar às ondas que as vidas são adúlteras,
ossudas, cortantes,
agudas, inconstantes.
As terras, essas, são redondas.
São de rondas, são de mondas,
como as estações.
Não te escondas: navega.
Não saias nas estações de ligação
para outra vida, para outro chão.
Nas ondas entrançadas de um cabelo, navega.
Vive pelo belo,
pelo duelo
entre ser vida ou existência adormecida.
Navega na veiga dos campos pungentes de gentes e vidas.
Navega, nas idas e vindas da vida
Vive na seiva das ondas,
Navega no fundo, mais fundo, do mar.
Rompe com as redes, marinheiro,
não tenhas medo de afundar.
Vive, navega,
nesse lugar entre as ondas,
onde mesmo debaixo de água,
há espaço para respirar.
Martha Mendes
(25 Janeiro de 2012)
terça-feira, 3 de janeiro de 2012
Escuro
Há um quarto escuro
onde ela se tranca todas as noites
e um buraco negro que ela encontra
dentro de si,
nesse quarto escuro.
Há preto e lodo no carregado dela
e uma tela escura que o medo não deixa colorir
que a cor é cura que não cabe
no alcatrão negro
da estrada sinuosa
que ela calcorreia
nessas noites escuras,
como a areia preta daquelas ilhas.
Há carvão preto
na escrita dos seus diários incontáveis
e uma fusão de negros
na pilha de tecidos
que se amontoam sobre
os segredos tecidos a linha espessa
no fumo da cigarrilha interminável da noite,
estendida nesse quarto escuro e obscuro
onde ela se tranca
no buraco negro de si mesma
e se perde e se encontra,
pronta para mais um dia de luz.
Martha Mendes
(4 Janeiro de 2012)
onde ela se tranca todas as noites
e um buraco negro que ela encontra
dentro de si,
nesse quarto escuro.
Há preto e lodo no carregado dela
e uma tela escura que o medo não deixa colorir
que a cor é cura que não cabe
no alcatrão negro
da estrada sinuosa
que ela calcorreia
nessas noites escuras,
como a areia preta daquelas ilhas.
Há carvão preto
na escrita dos seus diários incontáveis
e uma fusão de negros
na pilha de tecidos
que se amontoam sobre
os segredos tecidos a linha espessa
no fumo da cigarrilha interminável da noite,
estendida nesse quarto escuro e obscuro
onde ela se tranca
no buraco negro de si mesma
e se perde e se encontra,
pronta para mais um dia de luz.
Martha Mendes
(4 Janeiro de 2012)
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