domingo, 28 de junho de 2009

O último nó

Sou apanhada pela vida certa
no lugar onde dói mais estar errada.
A folha rasgada não pára de sugar o coração.
Crescem calos nas mãos
de tanto amassar a alma.
Florescem ervas de desassossego
entre raízes de calma.
Ouso ficar cega para não ver.
Queimo os olhos para sentir dor.
Sinto doer para saber-me viva.
Sem espaço para errata,
A vida certa ata o último nó.
Sem dó da pessoa errada.

Martha Mendes
(28 Julho de 2009)

Cubo

Não é um cubo mas tem paredes
cantos e faces paralelas
espaço fechado sem janelas.
Ar insuficiente para respirar
línguas que não chegam para contar a estória
palavras com que lavras a memória
quando o cubo se fecha sobre ti,
corpo finito, mudo.
Mudo para outro canto do cubo.
Refugo do mundo,
fim, fundo do que foi.

Martha Mendes
(28 Julho de 2009)

terça-feira, 23 de junho de 2009

Rascunho do coração

Passa por mim o passado quando te vejo.
O chão foge dos pés
A vida passa ao lado
Perco o norte
Falha-me a sorte
Buraco na alma.
Passa por mim o passado
Foge a calma
Mas o grito sai-me calado
Ando para lado algum
Sou recebida nesse sítio nenhum
Cresce o buraco na alma
Muda-se a estória escrita na palma da mão,
rascunho do coração que pára quando te vejo.

Martha Mendes
(23 Junho de 2009)