O Conceito M é um tempo Meu. de Mim. de Mais e Melhor. de Música. de Mel. de Mar. de MeMórias. deMorado. Porque as coisas inteiras precisam de um tempo próprio. sem Medo.
O cheiro a agri-doce que nunca deixa as ruas. Os rostos amarelos de olhos rasgados. Milhares deles. Milhões. O miúdo que todas as tardes fica parado à janela até lhe atirarmos um beijo. A menina que traz sandes ao jornal e me trata sempre por "a rapariga bonita" na língua dela que eu não percebo e o Vítor só traduz quando ela já vai a descer a rua e eu já não vou a tempo de lhe sorrir. A Joan a dizer "bacalhau" e a tentar ensinar-me chinês. A caixa cheia de e-mails dos que estando longe nunca saem de mim. O rosto novo daqueles que chegaram agora e já estão para ficar. O cheiro a jornal, sempre. As letras impressas. A tinta a tingir os dedos, as estórias a alimentar o papel. A vida a acontecer. Outra vez, até o miúdo bater novamente no vidro a pedir que lhe atire um beijo. Qualquer dia vou lá fora e dou-lhe mesmo um beijo. Pego-o ao colo e faço-lhe uma festa no cabelo preto para descobrir se tem toque de seda tanto quanto parece.
Teimosa e Impulsiva. Frontal e Transparente. Complicada. De riso e sorriso fácil. De afectos verdadeiros. Olhos grandes. Cabelo preto, comprido. Às vezes perdida. Sempre à procura.