Não posso viver nos olhos de um homem
mas posso morrer neles.
A tentar calar o que os olhos dizem
já morri, eu, tantas vezes.
A tentar ver para lá dos olhos
encandiei-me na imensa luz da alma.
Não posso viver de forma calma:
não sei de quantos amanhãs se faz o tempo.
Não posso viver no vento
mas morro se,
como ele,
não toco todas as peles,
não beijo todas as árvores.
Por levantar mantos proibidos,
esconderijo de segredos abrasivos,
já tantas vezes queimei as pálpebras.
Morremos de olhos fechados.
Não podemos abri-los, enquanto vivos?
Martha Mendes
(14 Fevereiro de 2012)