quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Mil estações de castanho

O dia acordou castanho.
Rangem as madeiras.
Desfazem-se folhas secas.
O vento sopra num grito de estanho
de tom pardacento
e conta estórias que trouxe de longe
enquanto o frio unge a pele.

O tamanho do mundo está mais pequeno
hoje que o dia acordou castanho.
Presente,
por entre os tons de Outono,
vou e venho
ao futuro e ao passado.
Passaram mil estações
mas nunca parei de correr.
Cem vezes acusado
de não me deixar morrer.

Passaram mil estações de castanho.

Estranho continuar aqui.

Martha Mendes
(9 Dezembro de 2009)