Um segundo chega
segundo a pressa do tempo.
Chega a primeira queda…
…E tentas o segundo salto.
Sem segunda oportunidade.
Um momento que nunca mais se repete.
Na vida como na hora da verdade,
Um segundo e nasces outra vez.
De vez ou para nunca mais voltar:
Um segundo basta para acabar.
De vez ou para nunca mais voltar:
Um segundo chega para recomeçar.
Martha Mendes
(26 Abril de 2009)
domingo, 26 de abril de 2009
quarta-feira, 15 de abril de 2009
Do lado de cá
Dentro de mim cabe tudo.
O som mudo dos gritos que não lanço.
O descanso e o cansaço.
A tua presença e a tua falta.
Sangue, estômago, intestinos.
Instintos e vertigem em ponte alta.
Retintos minutos de tempo
e um coração onde me sento para pensar.
Os livros que não li e quero ler.
Falar, contar, calar.
O desejo de me perder em ti,
viagem que continuo sozinha.
Na minha, na tua, nossa rua.
Dentro de mim cabe a nossa canção,
que vem ter comigo todos os dias.
Sensação de que o mundo é pequeno.
Um veneno que não mata:
Desacata, desencanta.
Cabe o astronauta e o velho do Restelo.
Castelo no ar, moinho de vento.
O lado novo, o lado velho.
O envelhecido que reinvento.
Sou Elias, sou Jezabel,
cordão umbilical, umbigo que entra pela pele.
Sou o sonho do que poderia ter sido.
E debaixo do tecido de mim
cabe o que não foi e nunca será
mas ficou para sempre.
Para sempre do lado de cá.
Martha Mendes
(15 Abril de 2009)
O som mudo dos gritos que não lanço.
O descanso e o cansaço.
A tua presença e a tua falta.
Sangue, estômago, intestinos.
Instintos e vertigem em ponte alta.
Retintos minutos de tempo
e um coração onde me sento para pensar.
Os livros que não li e quero ler.
Falar, contar, calar.
O desejo de me perder em ti,
viagem que continuo sozinha.
Na minha, na tua, nossa rua.
Dentro de mim cabe a nossa canção,
que vem ter comigo todos os dias.
Sensação de que o mundo é pequeno.
Um veneno que não mata:
Desacata, desencanta.
Cabe o astronauta e o velho do Restelo.
Castelo no ar, moinho de vento.
O lado novo, o lado velho.
O envelhecido que reinvento.
Sou Elias, sou Jezabel,
cordão umbilical, umbigo que entra pela pele.
Sou o sonho do que poderia ter sido.
E debaixo do tecido de mim
cabe o que não foi e nunca será
mas ficou para sempre.
Para sempre do lado de cá.
Martha Mendes
(15 Abril de 2009)
A partir do branco
Rasgo o papel e parto outra vez do branco.
Num rasgo de coragem,
arranco palavra a palavra de dentro de mim.
Anulo tudo o que já fiz.
Invento.
Re-invento.
Aumento a distorção da realidade.
Procuro a verdade por dentro,
e reinvento-a no papel.
Cruel, este misto de mel e fel,
onde a criação se encontra.
As palavras.
Essa montra onde me exponho sem máscara.
Diáspora.
Catarse da alma, do ser, do eu.
O meu.
O teu.
O nosso.
Puxado do poço sem fundo de mim.
Rasgo o papel e parto outra vez do branco.
Arranco-me de mim,
para expor a pessoa que sou.
A nu.
A cru.
Vou escrevendo.
Sobre um branco franco,
espelho de mim que não deixa mentir.
Martha Mendes
(15 Abril 2009)
Num rasgo de coragem,
arranco palavra a palavra de dentro de mim.
Anulo tudo o que já fiz.
Invento.
Re-invento.
Aumento a distorção da realidade.
Procuro a verdade por dentro,
e reinvento-a no papel.
Cruel, este misto de mel e fel,
onde a criação se encontra.
As palavras.
Essa montra onde me exponho sem máscara.
Diáspora.
Catarse da alma, do ser, do eu.
O meu.
O teu.
O nosso.
Puxado do poço sem fundo de mim.
Rasgo o papel e parto outra vez do branco.
Arranco-me de mim,
para expor a pessoa que sou.
A nu.
A cru.
Vou escrevendo.
Sobre um branco franco,
espelho de mim que não deixa mentir.
Martha Mendes
(15 Abril 2009)
sexta-feira, 10 de abril de 2009
Sob o sol
O tempo passa
e ouço a dança da água
ao som da ameaça
de que o mundo não espera por mim.
Debaixo do sol
o tempo teima em passar
No rol das horas que se desenrolam.
A pele estala, queima,
e, ao fundo, o mar que me embala
atira-se contra as rochas
numa luta antiga.
Enquanto o tempo passa
para que a vida prossiga.
Martha Mendes
(Funchal, 10 Abril 2009)
e ouço a dança da água
ao som da ameaça
de que o mundo não espera por mim.
Debaixo do sol
o tempo teima em passar
No rol das horas que se desenrolam.
A pele estala, queima,
e, ao fundo, o mar que me embala
atira-se contra as rochas
numa luta antiga.
Enquanto o tempo passa
para que a vida prossiga.
Martha Mendes
(Funchal, 10 Abril 2009)
sexta-feira, 3 de abril de 2009
A caminho de ti
A caminho de ti
encontrei uma cor nova.
Um livro que não li.
Um rosto que não toquei.
Matéria que não sei.
Vida que não vivi.
A caminho de ti
econtrei o mundo.
Perdi os sentidos
e os medos contidos.
Regressei ao início.
E no ponto de partida,
a sangrar a ferida aberta
de tanto caminhar para ti
perdi os sentidos
e acabei por me encontrar
nos perdidos e achados de mim.
Martha Mendes
(3 Abril de 2009)
encontrei uma cor nova.
Um livro que não li.
Um rosto que não toquei.
Matéria que não sei.
Vida que não vivi.
A caminho de ti
econtrei o mundo.
Perdi os sentidos
e os medos contidos.
Regressei ao início.
E no ponto de partida,
a sangrar a ferida aberta
de tanto caminhar para ti
perdi os sentidos
e acabei por me encontrar
nos perdidos e achados de mim.
Martha Mendes
(3 Abril de 2009)
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