Caminho por cima das nuvens.
Vejo o céu e o mar.
A Terra fora de escala.
O ar onde levito
Ora embala
Ora encurrala.
Fecho os olhos com força.
Acredito.
Procuro-te na rua onde sei que nunca vens.
Quero encontrar-te onde não estás.
Acredito.
Admito que me iludo.
Escudo para me proteger de não te ter.
Caminho por cima das nuvens,
tomo o céu todo.
Num abraço engulo o mundo.
Digo adeus.
Passo ao lado de um anjo.
Chamo por Deus.
Arranjo a alma,
que trago em desalinho.
Lembro a mulher que um dia temeu
E pôs fim ao caminho.
A mulher era eu.
Martha Mendes
(31 de Julho de 2008)
quinta-feira, 31 de julho de 2008
segunda-feira, 28 de julho de 2008
Número sete
Virei as costas à nossa estória.
Na roda aleatória dos sentimentos
Saiu-me o número sete.
Banquete de mentiras.
Balão de ilusões que o alfinete da verdade fez explodir.
Regresso ao mundo.
Ingresso na vida.
Espero outras estórias.
As que estão por vir.
Saiu-me o número sete,
e já gastei seis vidas.
Tantas mortes adormecidas dentro de mim.
Já tenho o bilhete para me afastar.
Porta aberta para outro começo,
onde adormeço sozinha.
Agora que estou inteira.
Inteira, do direito e do avesso.
Agora que me conheço.
Acesso de excesso por defeito,
o sonho desfeito ao longo do processo,
impresso no livro da nossa estória.
Na roda aleatória dos sentimentos,
jogo insuspeito de sorte e azar,
saiu-me o número sete.
Aceito o desafio.
Lanço os dados uma última vez.
O caminho foi sempre imperfeito.
Martha Mendes
(28 Julho 2008)
Na roda aleatória dos sentimentos
Saiu-me o número sete.
Banquete de mentiras.
Balão de ilusões que o alfinete da verdade fez explodir.
Regresso ao mundo.
Ingresso na vida.
Espero outras estórias.
As que estão por vir.
Saiu-me o número sete,
e já gastei seis vidas.
Tantas mortes adormecidas dentro de mim.
Já tenho o bilhete para me afastar.
Porta aberta para outro começo,
onde adormeço sozinha.
Agora que estou inteira.
Inteira, do direito e do avesso.
Agora que me conheço.
Acesso de excesso por defeito,
o sonho desfeito ao longo do processo,
impresso no livro da nossa estória.
Na roda aleatória dos sentimentos,
jogo insuspeito de sorte e azar,
saiu-me o número sete.
Aceito o desafio.
Lanço os dados uma última vez.
O caminho foi sempre imperfeito.
Martha Mendes
(28 Julho 2008)
sexta-feira, 25 de julho de 2008
A dança
Ouço a música dentro de mim.
O som que me sai da pele,
abafa o barulho à minha volta.
Entulho de vozes que se anulam.
Mergulho no som da minha alma,
e ouço a música dentro de mim.
Sigo a batida,
acometida do desejo de te dançar.
Alinho o passo,
enquanto ouço a música em mim.
Admitida sem candidatura ao compasso da vida,
recuso dançar outra melodia que não a nossa.
Arremetida para uma pista escorregadia,
procuro a música dentro de nós.
Pares indiferentes dançam a valsa que adia a morte.
E eu bailarina marginal, vadia
continuo a embalar o corpo que colo ao teu,
ao som da balada que a minha pele irradia.
Paro num abraço que é só nosso.
Juntos dançamos em uníssono.
Ouço a música dentro de mim.
Ouço a música dentro de nós.
Rodeados de gente dançamos sós.
E a nossa música abafa o barulho à minha volta.
Esse entulho de vozes à solta.
Martha Mendes
(25 de Julho 2008)
O som que me sai da pele,
abafa o barulho à minha volta.
Entulho de vozes que se anulam.
Mergulho no som da minha alma,
e ouço a música dentro de mim.
Sigo a batida,
acometida do desejo de te dançar.
Alinho o passo,
enquanto ouço a música em mim.
Admitida sem candidatura ao compasso da vida,
recuso dançar outra melodia que não a nossa.
Arremetida para uma pista escorregadia,
procuro a música dentro de nós.
Pares indiferentes dançam a valsa que adia a morte.
E eu bailarina marginal, vadia
continuo a embalar o corpo que colo ao teu,
ao som da balada que a minha pele irradia.
Paro num abraço que é só nosso.
Juntos dançamos em uníssono.
Ouço a música dentro de mim.
Ouço a música dentro de nós.
Rodeados de gente dançamos sós.
E a nossa música abafa o barulho à minha volta.
Esse entulho de vozes à solta.
Martha Mendes
(25 de Julho 2008)
A cor eleita
Pinto a vida de branco.
Tranco o preto.
Arranco as cores da paleta,
misturo-as.
Procuro um tom secreto.
Pinto uma tela incompleta,
onde não encontro o tom.
Desenho formas disformes,
conforme o desejo que me guia.
A cor perfeita persegui-a toda a vida.
Hoje a cor eleita sou eu.
Martha Mendes
(25 Julho 2008)
Tranco o preto.
Arranco as cores da paleta,
misturo-as.
Procuro um tom secreto.
Pinto uma tela incompleta,
onde não encontro o tom.
Desenho formas disformes,
conforme o desejo que me guia.
A cor perfeita persegui-a toda a vida.
Hoje a cor eleita sou eu.
Martha Mendes
(25 Julho 2008)
quarta-feira, 9 de julho de 2008
Marcha Compassada
Olho os rostos desfocados.
Traços apagados,
no meio da multidão.
Gente sôfrega que se afoga,
que roga atenção.
Olho os rostos desfocados,
afogados em vida.
Na morte lenta do tempo mal parado,
atentam no tempo que passou.
É o rosto gasto,
do homem que caminha.
Que tenta no passado,
corrigir um futuro que não quer.
É um corpo isolado,
mas igual na multidão que marcha compassada.
Igual.
Uníssona.
Consensual.
A gente que se arrasta, animal.
Leal aos outros, desleal consigo.
Porque se arrasta na marcha compassada,
que não é a sua dança.
É o rosto desfocado
que querendo parar, avança.
É o animal,
que sobrevive igual na multidão.
É a gente,
Que sobrevive à vital contradição.
Martha Mendes
(9 de Julho de 2007)
Traços apagados,
no meio da multidão.
Gente sôfrega que se afoga,
que roga atenção.
Olho os rostos desfocados,
afogados em vida.
Na morte lenta do tempo mal parado,
atentam no tempo que passou.
É o rosto gasto,
do homem que caminha.
Que tenta no passado,
corrigir um futuro que não quer.
É um corpo isolado,
mas igual na multidão que marcha compassada.
Igual.
Uníssona.
Consensual.
A gente que se arrasta, animal.
Leal aos outros, desleal consigo.
Porque se arrasta na marcha compassada,
que não é a sua dança.
É o rosto desfocado
que querendo parar, avança.
É o animal,
que sobrevive igual na multidão.
É a gente,
Que sobrevive à vital contradição.
Martha Mendes
(9 de Julho de 2007)
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