Procurei-te em cada canto da tua ausência
como se a minha
insistência
pudesse
devolver-te ao
vento
forte
que conheci no teu toque.
Procurei-te em cada momento de tempo
em que a eternidade
pesava
e demorava
longe de ti.
Procurei-te enquanto via passear a idade
e a cidade
passava por mim
nua
de sentidos e melodias.
Procurei-te nos dias
e nas noites
em que te tive por dentro
e dentro de mim
na intimidade sôfrega
de uma vida
inteira
a ver-te partir.
Procurei-te sozinha
perdida
debaixo da minha pele
e em cada veia
ao fundo da vida
e por dentro da morte
em cada esquina do destino
e da sorte que atei a mim.
Procurei-te
no meu desatino
de te querer Senhor
e Rei.
Procurei-te
tendo-te a meu lado,
eterno passageiro
que nunca encontrei.
Martha Mendes
(19 Abril de 2012)