Tantas cores nos olhos
que choram por hábito.
Tantas dúvidas na cabeça que habito.
Tantos timbres na voz
de quem grita sem ser ouvido.
Tantos nós nos rolos de fio da vida,
tantos pós que a morte gerou.
Tamanhos calos nas mãos
dos que escavam em vão
e vão, assim, escavando o seu último abrigo,
à procura da alma que perderam no tempo.
Quanto escuro na luz de todos os dias.
Mãos frias no calor da noite.
Mói-te ter de fechar a caixa aos que amas.
Mói-te não ter escamas que protejam o coração,
nem camas onde deitar a alma,
quando ela adormece,
no meio do turbilhão.
Martha Mendes
(12 Março 2012)