domingo, 4 de janeiro de 2009

Sem medo

Vou falar sem medo que as palavras fujam.
Ouvir sem medo de não entender.
Tocar sem medo de ser rejeitada.
Ser tocada sem medo de me perder.

Olhar para o céu
mesmo sem lhe ver a entrada.
Levantar o véu
sem saber o que vou ver.

Coser os laços.
Perder o medo.
Colar os pedaços.

Ainda é cedo para parar de correr.

Deixar sangrar.
Abrir os olhos.
Acreditar na cura.

Vou olhar para o céu
mesmo sem lhe ver o fim.
Ainda é cedo para me deixar morrer.

Martha Mendes
(Macau, 4 Janeiro 2009)