Vou falar sem medo que as palavras fujam.
Ouvir sem medo de não entender.
Tocar sem medo de ser rejeitada.
Ser tocada sem medo de me perder.
Olhar para o céu
mesmo sem lhe ver a entrada.
Levantar o véu
sem saber o que vou ver.
Coser os laços.
Perder o medo.
Colar os pedaços.
Ainda é cedo para parar de correr.
Deixar sangrar.
Abrir os olhos.
Acreditar na cura.
Vou olhar para o céu
mesmo sem lhe ver o fim.
Ainda é cedo para me deixar morrer.
Martha Mendes
(Macau, 4 Janeiro 2009)