Senti-a descer pelo rosto,
como uma pedra que rola pela montanha.
Pesada, percorreu a curva do nariz,
deu verniz ao olhar baço.
Molhada, fez húmidas as pestanas escuras.
Senti-a descer pelo rosto,
desenho de linhas duras.
Era um lágrima.
Provei-a.
Era uma lágrima, era sal, era mosto.
Água enlameada de solidão.
Sangue transparente, ao mundo exposto.
Água bombeada do meu coração,
esta lágrima do lago da tua ausência.
Martha Mendes
(Macau, 21 Dezembro 2008)