Parto-me ao meio
Separo o melhor de mim
Reparo de ter nascido incompleta.
Pincel sem paleta,
eu sem ti.
Violeta sem raiz na terra,
dou-me.
Partilha que me desterra para fora de mim.
Tu, ilha à deriva no meu corpo,
sem recanto onde atracar.
Mão que me dedilha os segredos
Privilégio de me teres por completo.
Enredos e medos e penedos que não consigo saltar.
Meu amuleto.
Esqueleto de que sou a carne.
Corpo incompleto quando estou fora.
Hora certa para regressar a ti.
Martha Mendes
(22 de Setembro de 2008)