terça-feira, 30 de setembro de 2008

Aguaceiro

O comboio arrancou de vez
em carruagens de saudade e vazio.
Caravanas de distância
levam-te para longe.
A ânsia cresce,
ao som do ferro a raspar os carris.
Choras e ris.
E sorris de mágoa.
A água dos olhos molha o caminho
percorrido légua a légua,
sob o aguaceiro já molhado.
A régua da estória
traçou-nos caminhos cruzados.
Atalhos para um pouco mais de vida.
O último apeadeiro coincide com a chegada.
Recordo cabelos grisalhos de tanto retorno.
Parada negra onde desfila o comboio da partida.
Nós,
Agasalhos um do outro nos dias frios do fim.
Percurso certeiro de uma vida ao acaso.
Descoberta de sol no fim do aguaceiro.

Martha Mendes
(30 Setembro 2008)