Foi sempre assim, amor e raiva.
Foi sempre assim este conflito.
Amar sem querer e querer sem poder,
Num sentir inquieto e aflito.
Precipício sem fim,
este, onde me perco em ti.
Num salto rasgo o infinito
E do que era eu fica apenas o eco do último grito.
Ferida, arranco tudo o que de teu ficou em mim.
Sangro gota a gota
Até te esvaziar do corpo.
Apago o vestígio da tua pele
Na esperança de deixar de ser tua.
Desfaço o eterno litígio de te amar com cólera.
Rasgada de dor e mágoa
Vejo-me nua sobre a água que reflecte a derradeira verdade:
Foi sempre assim, amor e raiva.
Martha Mendes
(14 de Julho de 2007)