Beijas as palavras
Para me mergulhares.
Fazes das palavras
instrumentos com que me lavras fundo.
Na tua boca, as palavras.
Afilamentos das estradas difíceis.
Braços que usas para me abraçar.
Laços com que enfeitas
as conversas que me ofereces.
Eu, guerreira, tentando resistir às tuas preces
de palavras ditas e desditas.
Eu, vencida ao que sussurras.
Palavras afeitas a nós,
afoitas aos outros.
Espaços vazios que preenches com som de ti.
Coches antigos por onde me levas a viajar.
Trevas que transformas em luz,
como nas primeiras horas do Homem.
As tuas palavras,
sons que me amam e consomem.
Abraços de voz que me afogam em ti.
Martha Mendes
(12 Agosto 2008)