sábado, 30 de agosto de 2008

(Des)equilíbrio

No limbo do equilíbrio
Ele tenta, ébrio, andar direito.
De dores feitas e rarefeitas
Numa vida amarela,
onde o homem se tenta arrumar.
Rumo a lado algum,
caminha sobre o fio da navalha.
Na aguarela do trajecto
a mortalha espera branca,
sob o caminhar cambaleante.
O homem balança o corpo para manter o equilíbrio.
O fio balança numa ameaça.
Devassa de um momento de risco,
risco num papel o momento.
Cheira a medo e a fim.
E o fim tem um sabor triste
no limbo do equilíbrio.
O público assiste indiferente
à última tentativa.
Altiva réstia de vida.
Sob o fio o homem joga o fim.
O último lençol branco convida.
O fio cede tentado pelo balanço.
Em lanço livre,
o eterno mal-amado cai em desequilíbrio.
O derradeiro grito cai com ele
e sabe a liberdade.
Na aguarela do fim o branco fica vermelho.


Martha Mendes
(30 Agosto de 2008)