sábado, 7 de junho de 2008

À Margem

Sonho com o real
e ponho o mar onde ele não cabe.
Acabo com o mal,
para que o mal não nos desabe.

Retorno à inocência.
Abafo os gritos por clemência.
Bloqueio os tiros e as granadas.
Dou as guerras por acabadas.

Com o mar ao fundo e o vento a ferir a pele,
penso no amanhã.
Ferida do vento e da vida,
idealizo o mundo.
Tentativa vã de me manter crente.

Sentada sobre a paisagem,
em linha com o horizonte,
vejo a vida passar rente mas longe demais.
Desalinho o mundo numa miragem.
Sento os loucos na linha da frente.
Esses sãos e lúcidos anormais.
Os outros vêem-me louca também.
Mas não cesso o ímpeto de inconstância.

Vou mais além.
Permaneço aquém.
E continuo à margem.

Martha Mendes
(Maio de 2008)