Errante, vivo na dualidade do que sou.
Entre o oito e o oitenta.
Entre a espada e a parede.
Entre a parede,
muralha que me fecha em mim mesma.
Entre a espada,
aguçada lâmina onde me firo a cada passo.
Passo.
E passo porque as vitórias me derrotam.
Passo porque não sigo as regras.
Passo porque as regras me preseguem.
A cada passo, uma armadilha.
Os caminhos são corredores de ratoeiras sobre as quais vou saltando.
Sempre indecisa,
hesito entre fugir ou deixar-me apanhar na rede.
Sempre indecisa,
hesito.
Errante, salto entre o oito e o oitenta.
Falho a jogada.
E fico presa.
Entre a espada e a parede.
Martha Mendes
(Abril de 2008)