Poetas do tempo perdido,
sem hora,
sem aqui nem agora,
nasceram das conversas que duravam horas a fio
nos cafés das madrugadas longas.
Poetas da terra de ninguém,
do lugar do frio e do silêncio,
nasceram dos filhos que cresceram
em barrigas de mulheres cheias de amor.
Poetas sem nome,
nem terra, nem tempo,
nem assento em casa de família,
vieram ao mundo
num canto esquecido.
Poetas mortos,
de um tempo vivido
sem credo nem homilía,
nem raça, nem mordaça na boca.
Poetas escritores de vidas,
nascidos em camas rabiscadas,
cresceram na escrita,
morrendo aos poucos
nas larvas das palavras,
num vão de escadas
das longas madrugadas sem fim.
Martha Mendes
(19 Dezembro de 2011)