Cristais de pó de passado
enchem a pele
e o corpo
analisado poro a poro
pelo tempo.
Cristais de frio
e morte
entram pela pele
no corte que separa o coração do resto.
Cristais de pó de tempo
com porte de eternidade
pousam sobre o relógio desonesto
sem fim, nem fundo, nem idade.
Cristais de pó de vida
chovem sobre a dúvida de existência
e alagam as certezas.
Pós de cristal
pousam sobre a vida
e cobrem de pó o rosto,
no final,
à hora do sol posto.
Martha Mendes
(6 Dezembro de 2011)