Sei de uma mulher
Que chora todas as noites
Lágrimas azuis e lilás
Lágrimas que corroem como aguarrás.
Sei de uma mulher
Que todas as noites ao deitar
Chora até deixar de ver
Até deixar de ver
O que a faz chorar.
Sei de uma mulher
Que tem olhos vermelhos a arder.
Já não tem cabelos
Nem pestanas, nem pêlos
Só lágrimas para chorar.
Sei de uma mulher
De olhos pretos como as ciganas,
córnea vermelha de inferno,
Que chora lágrimas
E ás vezes chamas.
Sei de uma mulher cujos olhos
Deitam lágrimas e lamas
Águas de inverno rigoroso
Dilúvio preto doloroso.
Martha Mendes
(23 Outubro de 2009)