Saltas o arame farpado
e passas a linha vermelha.
Vais para o passeio oposto
até ao outro lado do tabuleiro.
Há fel a gosto no açucareiro.
Usurpado ao passado
arriscas olhar de frente.
Temente a Deus, temente à gente.
Rebentas as correntes prisioneiro.
Saltas arame farpado.
Não há certo, não há errado.
A vida é adiante,
depois do muro de arame,
da linha vermelha.
Depois do certo,
depois do errado.
A vida é adiante.
Depois de cosido o coração rasgado.
Martha Mendes
(11 Outubro de 2009)