Virei as costas à nossa estória.
Na roda aleatória dos sentimentos
Saiu-me o número sete.
Banquete de mentiras.
Balão de ilusões que o alfinete da verdade fez explodir.
Regresso ao mundo.
Ingresso na vida.
Espero outras estórias.
As que estão por vir.
Saiu-me o número sete,
e já gastei seis vidas.
Tantas mortes adormecidas dentro de mim.
Já tenho o bilhete para me afastar.
Porta aberta para outro começo,
onde adormeço sozinha.
Agora que estou inteira.
Inteira, do direito e do avesso.
Agora que me conheço.
Acesso de excesso por defeito,
o sonho desfeito ao longo do processo,
impresso no livro da nossa estória.
Na roda aleatória dos sentimentos,
jogo insuspeito de sorte e azar,
saiu-me o número sete.
Aceito o desafio.
Lanço os dados uma última vez.
O caminho foi sempre imperfeito.
Martha Mendes
(28 Julho 2008)