Olho os rostos desfocados.
Traços apagados,
no meio da multidão.
Gente sôfrega que se afoga,
que roga atenção.
Olho os rostos desfocados,
afogados em vida.
Na morte lenta do tempo mal parado,
atentam no tempo que passou.
É o rosto gasto,
do homem que caminha.
Que tenta no passado,
corrigir um futuro que não quer.
É um corpo isolado,
mas igual na multidão que marcha compassada.
Igual.
Uníssona.
Consensual.
A gente que se arrasta, animal.
Leal aos outros, desleal consigo.
Porque se arrasta na marcha compassada,
que não é a sua dança.
É o rosto desfocado
que querendo parar, avança.
É o animal,
que sobrevive igual na multidão.
É a gente,
Que sobrevive à vital contradição.
Martha Mendes
(9 de Julho de 2007)