Avanço, a espaços,
por entre o tempo.
Abro os braços,
para o vento temperado,
para a chuva quente da manhã.
Amanhã retomarei os laços
e as voltas ritmadas da dança dos dias inteiros.
Os afectos e os abraços,
a chuva quente,
por entre os nevoeiros da manhã,
e o cansaço de todos os dias.
Amanhã as horas voltarão a fazer sentido
voltarei a abrir o livro lido
voltarei à dança costumeira.
Mas hoje,
aqui onde ninguém me vê,
quero só o bafo quente da manhã
e, por uma vez,
abrir os braços
e morder a maçã.
Martha Mendes
(1 Novembro de 2011)