quinta-feira, 3 de setembro de 2009

No escuro

Não encontro o que procuro.
No escuro não vejo o que tenho.
Venho para a chuva com medo do sol.
Tiro o relógio com medo do tempo.
Não encontro o que procuro.
Tenho a vida por um fio
Tenho um furo
Tenho um aperto.
Tenho-te perto.
Tenho-te longe.
Tenho-te?
Sou monge trancado num mosteiro.
Não me tenho por inteiro
Não encontro o que procuro
E no escuro não vejo o que tenho.

Martha Mendes
(3 Setembro de 2009)