Sou apanhada pela vida certa
no lugar onde dói mais estar errada.
A folha rasgada não pára de sugar o coração.
Crescem calos nas mãos
de tanto amassar a alma.
Florescem ervas de desassossego
entre raízes de calma.
Ouso ficar cega para não ver.
Queimo os olhos para sentir dor.
Sinto doer para saber-me viva.
Sem espaço para errata,
A vida certa ata o último nó.
Sem dó da pessoa errada.
Martha Mendes
(28 Julho de 2009)