quarta-feira, 15 de abril de 2009

A partir do branco

Rasgo o papel e parto outra vez do branco.
Num rasgo de coragem,
arranco palavra a palavra de dentro de mim.
Anulo tudo o que já fiz.
Invento.
Re-invento.
Aumento a distorção da realidade.
Procuro a verdade por dentro,
e reinvento-a no papel.
Cruel, este misto de mel e fel,
onde a criação se encontra.
As palavras.
Essa montra onde me exponho sem máscara.

Diáspora.

Catarse da alma, do ser, do eu.
O meu.
O teu.
O nosso.
Puxado do poço sem fundo de mim.
Rasgo o papel e parto outra vez do branco.
Arranco-me de mim,
para expor a pessoa que sou.
A nu.
A cru.
Vou escrevendo.
Sobre um branco franco,
espelho de mim que não deixa mentir.


Martha Mendes
(15 Abril 2009)