A noite está suja e os morcegos andam na rua.
São dos que bebem o sangue aos distraídos.
Negros como a noite nua em que se movem,
vêm corroídos de mal.
A noite está suja mas os morcegos gostam assim:
A luz cega o predador que babuja
E enferruja a coragem postiça dos que se escondem.
Raiva mestiça, de inveja e podre
O sangue que alimenta o odre que bebe da vida alheia.
Veneno puro na noite escura,
que ateia a loucura pequena, mesquinha,
dos morcegos.
Secos e cegos,
bebem a paz aos distraídos.
Infelizes, doridos,
bebem o sangue dos inimigos.
Martha Mendes
(20 Fevereiro 2009)
Aos morcegos, que sabem quem são.